quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Mensagem de fim de ano da Aliança Cristã Evangélica Brasileira.



Graça e paz lhes sejam multiplicadas, pelo pleno conhecimento de Deus e de Jesus, o nosso Senhor . . . Por isso mesmo, empenhem-se para acrescentar à sua fé a virtude; à virtude o conhecimento; ao conhecimento o domínio próprio; ao domínio próprio a perseverança; à perseverança a piedade; à piedade a fraternidade; e à fraternidade o amor. (2 Pedro 1:2,5)

O ano da graça de 2010


Mensagem da Aliança Cristã Evangélica

Irmãos e irmãs,


O ano da graça de 2010 está chegando ao fim. E, de fato, este foi um ano de graça e por isso elevamos a nossa gratidão a Deus e celebramos a sua bondade. Deus tem sido muito bom conosco.


Os primeiros resultados do Censo 2011, anunciados pelo IBGE, indicam que o Brasil cresceu e está entrando num período de estabilização do seu quadro populacional, o que é bom. Um resultado que ainda não temos em mãos, mas que aguardamos com expectativa, tem a ver com o crescimento das diferentes expressões da igreja evangélica em nosso país. Esperamos que esse crescimento tenha sido, uma vez mais, significativo e vigoroso, nos colocando numa crescente plataforma de influência e visibilidade neste país.


Ao chegarmos ao final de 2010 também celebramos uma nova transição democrática de poder, na oração de que os novos governantes tenham sede de Deus e de justiça, de amor pelo pobre e pela verdade. Também experimentamos novos patamares de crescimento econômico entre nós, o que permite a milhares de brasileiros comer mais frequentemente e melhor, bem como sonhar com uma educação mais digna para os seus filhos. Deus tem sido bom conosco.


Este foi também o ano em que nasceu a Aliança Cristã Evangélica Brasileira, como uma expressão da igreja em sua busca de unidade e testemunho, rumo a uma cidadania marcada pelos valores do Reino de Deus. À medida que a igreja cresce, ela precisa aprofundar o seu olhar para dentro do coração de Deus e para o compromisso com um testemunho que aponte para a paz com justiça, o amor amalgamado com a verdade e um espírito de serviço que se transforme em espelho da realidade de Cristo em nosso país. A igreja e sua liderança precisam ter o tamanho da oportunidade e da responsabilidade que Deus nos está permitindo viver nesta nossa esquina histórica.


Isto deve acontecer com a igreja e com a sociedade em geral. Carecemos de uma liderança que ajude nosso país a crescer econômica, mas também humanamente. Carecemos de uma liderança que ajude e desafie esta nação a construir uma sociedade que valorize o outro, especialmente o mais pobre e a criança, e nos transforme num Brasil que saiba olhar para além das suas fronteiras na perspectiva da ajuda, do estabelecimento de parcerias fortes e justas e venha a corresponder à expectativa que os olhos do mundo põem sobre nós neste momento.

Enquanto vemos o país crescendo, os investimentos chegando, a indústria se agilizando, a agroindústria se modernizando, também afirmamos que o Brasil carece de uma classe política que responda a este momento. O “aumento escondido” que os políticos maiores se autoconcederam, no final deste ano em Brasília, nos mostra o quanto estamos longe de um quadro político que supere o clintelismo, a corrupção e a percepção do estado em benefício próprio. Hoje, é a classe política que se evidencia como um dos elos mais frágeis no rumo para a construção de um Brasil grande, mais democrático e mais justo. Essa classe política deve ser fortemente denunciada, por toda a sociedade, como injusta e inadequada para as demandas e oportunidades que Deus tem concedido à nossa nação.


Nós, que recém formamos a Aliança, queremos juntar nossas vozes às de todos aqueles que oram, clamam e buscam por uma liderança que possa levar este país a um novo patamar democrático e econômico. Ao mesmo tempo nós, que expressamos setores da liderança evangélica brasileira, temos consciência de quanto precisamos crescer e amadurecer rumo à construção de um Brasil assim e rumo à esperança de uma igreja evangélica que continue a crescer e possa impactar esta terra com os valores do Reino de Deus.


A Aliança nasce consciente, tanto da sua responsabilidade testemunhal como da sua necessidade de caminhar em parceria com tantos outros que buscam escutar a Deus, servir ao outro e viver uma cidadania que seja um reflexo do que Deus quer para nós – um Brasil onde o amor, a justiça, a verdade, a paz e a esperança estejam calçando as nossas belas avenidas de hoje e de amanhã.
Assim, oramos que o ano de 2011 seja marcado, uma vez mais, pela graça de Deus.

Soli Deo Gloria!

Valdir Steuernagel
p/Coordenadoria

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Fundação da Aliança Cristã Evangélica Brasileira



Fundação da Aliança Cristã Evangélica Brasileira


Em São Paulo, na Avenida Liberdade, na Catedral Metodista, se realizou em 30 de novembro de 2010 a fundação da Aliança Cristã Evangélica Brasileira – Aliança. Cerca de 230 pessoas participaram do ato, que contou com líderes e representantes de igreja, organizações e associações cristãs de diversas denominações e ministérios e estados do Brasil.

Por mais de três décadas e até 1964, a Confederação Evangélica Brasileira (CEB) fez o papel de unir e realizar projetos em comum com as igrejas evangélicas de sua época. Depois de um longo interregno fundou-se, em 1991, a Associação Evangélica Brasileira (AEVB), que por uma década se constituiu num esforço quanto à unidade de setores evangélicos em nosso país.

Agora nasce a Aliança Cristã Evangélica Brasileira que, honrando os que no passado procuraram responder à vocação evangélica quanto à unidade da igreja, quer representar esse mesmo esforço de obediência evangélica em sua geração no presente momento histórico. A Aliança nasce de um processo de escuta ao evangelho, no qual Jesus desafia seus discípulos a “serem um” para que o mundo creia nele (João 17:21-22); e tem como moto “a unidade da fé a caminho da missão”. A Aliança nasce também de um processo de escuta a líderes evangélicos em vários lugares do país, onde se colheu um forte apoio para esta iniciativa.

A “Carta de Princípios e Diretrizes” aprovada no encontro do dia 30.11, estabelece que a Aliança “é uma parceria de igrejas e organizações e tem como missão congregar seguidores do Senhor e Salvador Jesus Cristo como expressão da unidade da igreja”. Propondo-se a funcionar mais em modelo rede do que em forma de organização centralizada, será dirigida por um Conselho Geral, composto por 15 homens e mulheres que serão representativos de várias denominações, organizações e regiões do país.

Os caminhos e as adesões à Aliança se darão à luz desta Carta de Princípios que especifica a sua crença, bem como os seus princípios, valores e objetivos, que se resumem no propósito que a própria carta delimita: “Buscamos viver a nossa fé segundo os valores encontrados nas Escrituras e que a fé cristã tem afirmado e vivido no decorrer da história. Estes valores anseiam ser uma expressão do Reino de Deus” e expressar a nossa unidade no Espírito.

A Aliança, que se propõe a ser uma expressão da fé evangélica vivida neste país, quer começar devagar e ganhar densidade à medida que caminhe na busca da unidade e do serviço às nossas igrejas, ministérios e ao nosso próprio país.

Dezenas de igrejas e associações estão aderindo e se dispondo a integrar a Aliança, ao subscreverem uma carta de pré-adesão, que também estará disponível em nosso site. Neste também estarão expostos os nomes daqueles que já se dispuseram a formar a liderança da Aliança, que terá outros nomes acrescentados à medida que se fizer necessário no processo de aprovação.

A assembleia da fundação terminou com um culto de adoração e comunhão, o que é, em última análise o objetivo da Aliança: Adorar a Deus, viver em comunhão e servir ao outro com amor e em busca da justiça.

O nosso site está ao seu dispor para contatos e conversa.

Assessoria de Imprensa: http://www.aliancaevangelica.org.br/

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Os caminhos da ACEB

Minha oração não é somente por ele. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um: eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste (João 17:20-23).

Caros irmãos e irmãs,

ao nos encontrarmos em diferentes lugares e reuniões, vocês perceberam que estou lendo João 17 ao falar sobre a possibilidade de uma "Aliança Evangélica" entre nós. Eu continuo lendo o mesmo texto, pois ele é a base dessa nossa caminhada. Ou seja, o nosso mandato e a autoridade de falar em unidade tem tudo a ver com àquilo que Deus está nos falando através da sua Palavra. Não temos nenhum outro mandamento e nenhuma outra Palavra. Assim como também não temos nenhuma outra alternativa a não ser ouvir e seguir a ele, que é o nosso Senhor e Salvador. Esta nota está indo a todos que, de alguma forma, participaram nos diferentes encontros que já foram feitos em diversos lugares do Brasil. Quero não apenas agradecer por esta participação mas também reconhecer o apoio e o engajamento de tantos nesta caminhada. Este é um processo simples mas é significativo a sede de muitos quanto ao estebelecimento de um organismo como uma Aliança, que estamos chamando de Aliança Cristã Evangélica Brasileira, e a disposição de outros tantos de ativamente participar no processo. No momento estamos fazendo o que chamamos de reuniões de escuta em vários lugares. No decorrer deste mes reuniões assim ocorrerram tanto no Rio como em Belo horizonte. Em agosto devemos ter um encontro em Recife e outro em Fortaleza. E assim vemos lideranças regionais despertanto e sendo afirmadas. É claro que o Brasil é muito grande para se ir a muitos lugares mas muitos lugares podem ser alcançados por lideranças regionais que queiram abraçar a mesma causa. Em nossos encontros temos afirmado que a disposição é a de criarmos uma Aliança que possa funcionar ao estilo de rede e isso vemos acontecendo. Numa rede a iniciativa é de todos e é necessário que assim o seja. É com essa motivação que queremos apoiar estas "reuniões de escuta" no maior número possível de lugares. Entrementes, também, estamos tendo a possibilidade de ter o Wilson Costa como o nosso assessor sênior e ele está nos dando algumas horas semanais e ativamente ajudando nas necessárias articulações e contatos. Contate-o, pois, se você tiver perguntas e sugestões. Também gostaria de usar esta oportunidade para compartilhar com cada um e cada uma a nossa percepção para os proximos passos. Estamos planejando um encontro no dia 30.11.2010, na cidade de São Paulo. Esta reunião terá como objetivo afirmar formalmente a existência da ACEB (Aliança Cristã Evangélica Brasileira). Estamos propondo que esta seja um encontro para a "fundação informal" da ACEB. Uma fundação sem CNPJ, mas que já tenha a tarefa de escolher uma comissão coordenadora que, por um ano, esteja formatando este organismo da melhor forma possível e buscando os necessários endossos de denominações, ministérios e organizações. Propomos que caminhemos devagar. Assim, a participação poderá ser melhor, a sedimentação da proposta ser mais madura e teremos tempo para que se forme uma ACEB mais forte e robusta. Mas mesmo assim, a reunião do dia 30.11 quer ser uma assembléia fundante da ACEB e isso nos queremos celebrar num culto festivo, naquela mesma noite. Marque, por favor, esta data na sua agenda pois a sua participação é fundamental, ainda que informações posteriores serão enviadas. Eu queria encerrar com duas notas. A primeira é um convite para a intercessão. A ACEB precisa nascer em oração e viver em oração. Assim, certamente agradecemos por todas as redes de oração que a estejam colocando em sua agenda intercessória. A segunda é um convite para a participação. A ACEB será nós. Nada mais e nada menos do que nós. Todos somos ocupados e temos muito a fazer e só um pouco de espaço para contribuir com a ACEB. Mas se muitos aportarem com coração, zelo e afinco a ACEB vai ser forte. E esse é o nosso desejo. E por isso Jesus já orou, poderíamos dizer. Agradeço, uma vez mais a sua participação e intercessão. Graça e paz!

Valdir Steuernagel

Comissão de Trabalho indicada na reunião de 14/12/2009 em São Paulo
- Ariovaldo Ramos
- Cicero Duarte
- Deborah Fahur
- Durvalina Bezerra
- Fabrício Cunha
- Oswaldo Prado
- Silas Tostes
- Welinton Pereira
- Clemir Fernandes, integra a comissão a partir da reunião de escuta no Rio de Janeiro, em junho/10.
- Christian T. Gillis, integra a comissão a partir da reunião de escuta em Belo Horizonte, em junho/10.
- Wilson Costa - Assessor Sênior do Grupo de Trabalho

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Aliança Evangélica, novas consultas no nordeste

Como Movimento Encontrão temos nos engajado no processo de constituição da Aliança Cristã Evangélica Brasileira, o que começou com um encontro de pessoas buscando unidade tem caminhado para a formação desta aliança.

O grupo de trabalho continua empenhado em realizar outras reuniões de escuta pelo Brasil. No dia 11 de agosto acontecerá uma reunião de escuta em Recife, Pernambuco. E em 16 de agosto, em Fortaleza Ceará.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Mais uma tentativa de "unidade" evangélica brasileira: vale a pena? - Paul Freston


Está em curso uma série de reuniões para discutir a formação de uma “aliança de redes” evangélicas no Brasil. Inevitavelmente, o observador com um pouco de conhecimento histórico (ou mesmo um pouco mais velho) é tentado a esboçar um sorriso cético. Afinal, já vimos esse filme. Primeiro, houve a Confederação Evangélica Brasileira (CEB), criada nos anos 30 e que funcionou com bastante seriedade e representatividade até os anos 60. Depois de ter entrado em “coma” durante o regime militar, foi ressuscitada de forma altamente discutível durante a Constituinte de 1987-88, por um grupo de parlamentares evangélicos. Manchada por escândalos, foi finalmente sepultada. Em seguida, houve a Associação Evangélica Brasileira (AEVB), criada em 1991. A AEVB conheceu alguns momentos de destaque na sociedade brasileira ao longo dos anos 90, sobretudo no auge da projeção pública do seu primeiro presidente, Caio Fábio. Mas o necessário processo de enraizamento, embora muito recomendado, não foi feito. Em vez de se criar uma densidade institucional, preferiu-se depender do carisma pessoal do presidente e de sua capacidade de circulação ampla nos meios evangélicos, na sociedade civil e, até certo ponto, nos meios políticos. No final dos anos 90, os escândalos político e sexual do presidente novamente marcaram a efetiva dissolução da entidade mais representativa dos evangélicos. Desde então, a comunidade evangélica brasileira, imensa e crescente, carece totalmente de uma entidade unificadora.

Diante dessa história triste de repetidos fracassos, cabe perguntar se vale a pena tentar de novo. Qualquer tentativa não estaria fadada ao fracasso? Pior, não estaria propensa a acabar em mais escândalos desmerecedores da fé evangélica? E mais, será que o mundo evangélico não funciona a contento sem esse tipo de entidade? Afinal, para que desviar as atenções do trabalho essencial de evangelismo, discipulado e obras sociais, os quais seguem a todo vapor? Não seria melhor assumir de vez a desunião evangélica e esperar que, numa versão teológica da “mão invisível” da economia clássica, a dedicação exclusiva de cada segmento do mundo evangélico ao seu próprio bem-estar acabe redundando no bem-estar do conjunto?

Podemos responder a essas indagações de vários ângulos. Comecemos pensando no alcance da proposta de “unidade evangélica brasileira”, dividindo-a em suas três dimensões: “Brasil, evangélicos e unidade”.

Em primeiro lugar, o Brasil hoje está num momento peculiar. De um lado, continua sendo (no mau sentido) o “país do futuro” no qual as realizações ficam sempre aquém do potencial imenso. Por outro lado, o Brasil hoje é “o B do BRIC”, ou seja, faz parte do grupo seleto de países emergentes (Brasil, Rússia, Índia e China) que transformarão a economia e geopolítica mundiais nas próximas décadas. Mais ainda, é a potência emergente cuja ascensão está sendo encarada com mais benevolência pela opinião pública mundial. Embora ainda haja muito que fazer, a visibilidade internacional do Brasil e a imagem do país no exterior melhoraram consideravelmente nos últimos anos.

Em segundo lugar, esse Brasil que começa a aparecer no cenário mundial tem a segunda maior comunidade de protestantes praticantes do mundo. Em números absolutos, há mais membros ativos de igrejas evangélicas no Brasil do que em qualquer outro país, exceto os Estados Unidos. E essa comunidade enorme não para de crescer. Ou seja, a igreja evangélica brasileira representa uma fatia muito importante da igreja evangélica mundial.

Em outras palavras, o Brasil representa cada vez mais no cenário mundial, e os evangélicos brasileiros representam cada vez mais na sociedade brasileira e no contexto evangélico mundial. Em vista disso, pensar numa entidade unificadora dos evangélicos brasileiros não é uma coisa de pouca importância. Há uma lacuna considerável no cenário social e político brasileiro, e no cenário evangélico mundial.

Contudo, em terceiro lugar, a unidade é muito difícil. Historicamente, a igreja cristã como um todo só esteve unida sob pressão política (por exemplo, depois da conversão do imperador romano Constantino). Além disso, o protestantismo em si tem ainda mais dificuldade de manter-se unido. Logo no século 16 dividiu-se, e de lá para cá as divisões só aumentaram. Há uma razão para isso. O protestantismo desteologiza a organização eclesiástica, levando inevitavelmente à pluralidade organizacional. Perde a capacidade de impedir a multiplicidade organizacional, apesar da retórica a favor da unidade.

A diferença entre protestantismo e catolicismo não é apenas uma questão de certas doutrinas. É também organizacional. O protestantismo é uma outra maneira de organizar o campo cristão. A legitimidade organizacional no protestantismo é plural, pois não resta base doutrinária capaz de localizar a legitimidade somente nesta ou naquela igreja. A legitimidade se espalha entre múltiplas organizações; aliás, o protestantismo contém não somente múltiplas organizações, mas também uma variedade de modelos organizacionais. Essa pluralidade tem efeitos positivos sobre a capacidade evangélica de organizar-se rapidamente em lugares novos e incentivar a iniciativa leiga. Mas também tem efeitos negativos.

É importante saber para que serve a “unidade”. A unidade não é necessária para evangelizar (que acontece mais ainda por causa das divisões), nem para adorar, nem para fazer a ação social localizada. Porém, a unidade é necessária para três coisas. Em primeiro lugar, para a representação pública (vivemos num momento em que os governos federal, estaduais e municipais procuram envolver cada vez mais as entidades da sociedade civil nas políticas públicas). Em segundo lugar, para pronunciamentos éticos (faz muita falta uma entidade evangélica que possa, com humildade, esclarecer à opinião pública que lamentamos profundamente certas coisas que são feitas em nome dos evangélicos e que tais ações não condizem com o evangelho que professamos). E em terceiro lugar, para ações sociais de nível mais macro. Como exemplo de tais ações, podemos citar o país latino-americano que possui a entidade de unidade evangélica mais forte da região. O Conep, no Peru, existe ininterruptamente desde os anos 40 e agrega a maioria das organizações evangélicas peruanas. Como resultado disso, é praticamente o único país latino-americano no qual os evangélicos conseguiram criar uma entidade atuante e reconhecida pela sociedade na área de defesa dos direitos humanos (chamada Paz y Esperanza).

A lição a aprender é que certas coisas só podem ser feitas a um nível mais alto de articulação. Muitas coisas podem ser feitas “no varejo”, por assim dizer, mas outras têm de ser feitas “no atacado”. Diante disso, temos que nos perguntar: o que queremos conseguir como evangélicos no contexto brasileiro? Que marca queremos deixar na história do país?

Como já expliquei em artigos anteriores na revista Ultimato, o momento atual de crescimento acelerado da igreja evangélica não vai durar para sempre. Tudo indica que dentro de vinte ou trinta anos haverá uma maior estabilização numérica da presença evangélica no país. A minha previsão (que não é profecia, mas mera previsão sociologicamente informada!) é de que a comunidade evangélica se estabilize entre, digamos, 25% e 35% da população. Os católicos podem até se tornar minoria da população, mas a Igreja Católica continuará sendo de longe a organização religiosa mais forte do país.

Como será essa comunidade evangélica mais estabilizada? Será numericamente grande, mas ainda dividida em muitas denominações. Porém, a estabilização trará muitas mudanças, principalmente no tipo de líder exigido e nas demandas por um ensino mais aprofundado e por uma presença mais séria na sociedade. E a capacidade de realizar ações mais “macro” na sociedade dependerá da capacidade de criar algum tipo de “unidade”.

Para isso, precisamos de doses iguais de idealismo teológico e realismo sociológico, mantendo os dois em tensão criativa. Que tipo de realismo sociológico? O realismo que sabe que o mundo evangélico sempre será dividido, mas que essas divisões podem ser atenuadas nos seus efeitos nocivos por um idealismo teológico e uma autoabnegação ministerial. O realismo que percebe que o evangelho precisa ser mostrado em certos níveis que somente podem ser influenciados “no atacado”, por meio de ações conjuntas. O realismo que aceita que, por isso mesmo, a relação com o poder é inevitável, tanto porque a sociedade e o governo pedem o envolvimento evangélico (no bom sentido), como porque o vazio evangélico que resulta das divisões vai acabar sendo preenchido de algum jeito. O realismo que sabe, ao mesmo tempo, que essa relação inevitável com o poder é também sempre perigosa e acaba atraindo tanto os evangélicos triunfalistas como os evangélicos oportunistas (uns tão perigosos quanto os outros). O realismo que prevê que, uma vez estabelecida essa nova “aliança” evangélica, vai acabar exercendo funções de representação pública e ocupando espaços na mídia secular, quer queira quer não, e que aí os evangélicos oportunistas ficarão invejosos e tentarão entrar e ganhar o controle da entidade, ou, na impossibilidade disso, fundarão outra entidade concorrente (afinal, se os evangélicos são divididos aqui em baixo, por que não seriam divididos lá em cima?). Porém, o realismo que acha que, mesmo assim, com todos esses riscos, vale a pena tentar de novo criar uma entidade de unidade evangélica digna e séria. Para isso, a “identidade” é mais importante do que a “representatividade”. A representatividade será sempre relativa, mas, se houver uma “identidade” sólida, um esforço de criação de “densidade” institucional e uma “seriedade” no trabalho realizado, o papel de “representação” seguirá.


• Paul Freston, inglês naturalizado brasileiro, é professor colaborador do programa de pós-graduação em sociologia na Universidade Federal de São Carlos e professor catedrático de religião e política em contexto global na Balsillie School of International Affairs e na Wilfrid Laurier University, em Waterloo, Ontário, Canadá. É autor de Religião e Política, sim; Igreja e Estado, não (Editora Ultimato).

FONTE: http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&artigo=2597&secMestre=2605&sec=2624&num_edicao=323

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Líderes evangélicos discutem formação de uma rede nacional - por Alex Fajardo












Dia 14 de dezembro de 2009 ocorreu na IBAB (Igreja Batista de Água Branca) um encontro de 90 líderes do protestantismo nacional representantes de entidades, organizações e instituições. O Intuito do encontro é a criação de uma aliança em formato de rede que agregue todos. A Reunião foi convo
cada pelos líderes Ariovaldo Ramos (Missão Integral), Bertil Ekstrong (WEA), Débora Fahur (RENAS), Fabrício Cunha (IBAB Jovem e Usina 21), José Libério (Toca do estudante), Luiz Mattos (ALCEB), Silas Tostes (AMTB), (Visão Mundial) e Welinton Pereira (Visão Mundial).

A Reunião teve início as 09:00hs e foi aberta por Valdir Steuernagel que agradeceu a todos que foram chamados e trouxe uma palavra de gratidão, em seguida passou a palavra para Ed René Kivitz que trouxe uma palavra reflexiva sobre o texto do evangelista Mateus 4.23 – Ed René discorreu sobre o fracasso dos modelos socialistas e capitalistas e que o mundo clama por algo e que o evangelho não propõe apenas um outro mundo possível mas um novo ser humano possível, disse que participa da reunião com sentimentos misturados e fez um alerta dizendo que sofre arrepios quando a palavra representatividade é utilizada no meio evangélico, pois buscam o reconhecimento da Rede Globo apenas, que ele crê que este encontro não quer isto, pois as figuras do Reino de Deus são de subversão e muitos perderam o caminho da fermentação e abraçaram o caminho da pretensão. Alertou que a rede deve procurar articular a igreja para o serviço e não para a representatividade, é uma rede que coloca a toalha na mão do povo de Deus, a rede não deve se articular para salvar o movimento evangélico, pois se ele esta morrendo, deixe que morra. Quem fará parte desta aliança? Pergunta Kivitz, ele próprio responde, quem esta servindo e quer servir! “O que deve nos trazer aqui é a multidão que agoniza e não o movimento evangélico” afirmou o pastor que finalizou reforçando “Que estejamos aqui com a motivação de criar uma rede de solidariedade e serviço e não de representatividade.”

Em seguida Valdir Steuernagel passou a palavra para o sociólogo Paul Freston que apresentou dados sobre o Brasil e os evangélicos. Trouxe um histórico dos movimentos que buscavam representar os evangélicos e tempos passados e com erros e acertos passados disse que “O modelo não pode ser o do personalismo de um líder carismático, que exige-se um esforço muito grande, pois para ter lastro e duração é preciso contar com pessoas capacitadas que se disponham a gastar tempo para dar densidade ao processo de maneira que a Aliança tenha organicidade.” Dentre suas palavras informou que ninguém controla a imagem pública, não temos controle sobre o que a mídia vai divulgar sobre nossa imagem articulação ou movimento.

Logo após houve um momento de oração específica por 5 pontos: 1 – Oração pela unidade da Igreja; 2 – Oração pela liderança evangélica; 3 – Oração por uma Igreja comprometida com os valores do Reino de Deus; 4 – Pela Aliança que esta se formando e 5 – Pelos Seminários, Faculdades e Escolas e institutos de formação de obreiros existentes no Brasil

Em um segundo momento houve a apresentação de Débora Fahur da RENAS (Rede Evangélica Nacional de Ação Social) que explicou como funciona o modelo de rede em contraste com o modelo clássico da pirâmide, pois a rede tem a característica importante da horizontalidade que é entendida como uma qualidade de relações que se dão fora do contexto dominação/subordinação que é o resultado e produto do acionamento simultâneo de alguns valores como: respeito a diferença e a diversidade, à autonomia, ao reconhecimento da interdependência, à co-responsabilidade e à colaboração, expressos em práticas de gestão da rede nos relacionamentos entre membros.

A proposta do modelo de formação e funcionamento em rede já existe, o que não foi decidido ainda na reunião é o nome da entidade, provisoriamente estão chamando de uma Aliança Evangélica, pois desde os tempos da extinta AEVB (Associação Evangélica Brasileira) os evangélicos de linha histórica não se reuniam para uma representação em conjunto.

O bispo anglicano Dom Robinson Cavalcanti que se deslocou do Recife para participar do encontro disse que (vídeo neste post) “A representatividade não é uma escolha; é uma consequência sociológica”, e brincou com os números onde diz que a noiva de Cristo se tornou um harém de tanta igreja existente. Jasiel Botelho presente na reunião não perdeu a oportunidade de realizar uma charge da constatação (reproduzida abaixo neste post)

Um dos organizadores do encontro, o pastor Fabrício Cunha em entrevista para este blog ao elaborarmos a matéria, quando questionado sobre a importância do evento disse que “A Associação, Alianção, Rede ou Confederação é um importante passo numa caminhada que já tem lastro, história e legitimidade por conta da antiga CEB (Confederação Evangélica Brasileira), que atuou de forma efetiva entre os anos 30 e 64, quando foi inviabilizada pela ditadura militar. Precisamos ocupar alguns espaços que reclamam maior presença cristã e pedem por representatividade, que pode ser feita de forma saudável ou não. Por isso nosso sentimento de pertença à história. Fazemos parte de uma caminhada e não queremos inaugurar nada que já não tenha existido e que não represente uma reação a uma demanda de nosso tempo, a de, enquanto evangélicos, trabalharmos para que as pessoas se pareçam mais com Cristo, as relações sejam mais baseadas no paradigma trinitário e a sociedade baseie seu modus operandi na agenda do Reino de Deus.”

Neste post vale relembrar a Confederação Evangélica citada por Fabrício que nos informou que A CEB foi inaugurada em 1930 com o papel de representar o segmento evangélico e formar um órgão cooperativo em vistas da construção de uma identidade evangélica nacional e de projetos que fossem comuns, acompanhando os passos na América Latina após o Congresso do panamá em 1916. Era formada por secretarias, das quais se destacou a célebre Secretaria de Ação Social, liderada pelo pastor Erasmo Braga. Convocaram uma seqüência de encontros nos anos 50 e 60, dos quais se destacou a Conferência do Nordeste em 1962, com o tema “Cristo e processo revolucionário brasileiro”. Foi inviabilizada em 1964 pela ditadura militar e reaberta em 1987 sem o mesmo intuito e motivação.

Uma das bases confessionais para o encontro foi o Pacto de Lausanne, declaração de fé da ALCEB e o código de ética da Aliança Evangélica Mundial, sobre os fatores que motivam a caminhada dos que participaram do encontro, são três:

1. A absoluta necessidade de responder ao chamado do Evangelho no contexto de significativos setores da igreja brasileira dos nossos dias e no nosso contexto.
2. A percepção comum e imperativa de que necessitamos uma espécie de aliança que seja agregadora, ágil e repr
esentativa e, ao mesmo tempo, possa existir com o mínimo de burocracia e custos.
3. A busca por uma aliança que congregue redes já existentes, no objetivo de que elas sejam a nossa voz e expresse a nossa realidade, tanto no Brasil de hoje como em relação aos processos de representatividade externa a que somos chamados nestes nossos tempos.

Vale ressaltar que a reunião não esta sendo formada em nome de uma pessoa ou igreja específica, pois diversas entidades participaram do encontro na forma de associações, faculdades, institutos e organizações como AMTB, APMB, Convenção Batista Nacional, ABUB, MPC, JV, FLAM, Seminário Teológico Servo Cristo, Visão Mundial, Igreja Episcopal Anglicana, Movimento Encontrão ligado à Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, Fórum jovem de Missão Integral, Revista Ultimato, W4 Editora, Rede Fale, RENAS, FTL – Continental, Compassion, Seminário Betel Brasileiro, Missão AVANTE, Missões Quilombo, Desperta Débora, Toca do estudante, Instituto Anima.

A Mídia cristã se fez presente através de Klênia Fassoni da Revista Ultimato, Whaner Endo do Portal Cristianismo Criativo e entre diversos blogueiros este aqui que escreve este post.

A reunião que durou quase 5 horas finalizou com uma carta de princípios que diz que a aliança é uma “rede que visa ser expressão de unidade de cristãos evangélicos no Brasil e de ação, reflexão e posicionamento evangélico em questões éticas e de direitos humanos”. Silas Tostes foi o redator da carta que captou diversas sugestões dos pequenos grupos que se reuniram por cerca de uma hora para elaborar as indicações e debater os princípios que nortearam a futura aliança, a carta ainda é provisória. Segundo o facilitador da reunião, Valdir Steuernagel houve uma rica discussão em torno da proposta e que a próxima reunião ainda não será a de fundação pois reconhecem a necessidade de maior diálogo e formação de mais líderes em volta da proposta. O próximo encontro será realizado entre os meses de maio e julho de 2010 em local a ser definido ainda pelos organizadores.

Texto, fotos e vídeo Alex Fajardo

http://alexfajardo.wordpress.com/2010/01/08/lideres-evangelicos-discutem-formacao-de-uma-rede-nacional/









Chargista Jasiel Botelho esteve no evento representando os Jovens da Verdade e a FLAM

Modelo em rede substitui o modelo piramidal